Me perguntei sobre algumas coisas. Pensei, pensei, pensei. O vento batia na minha cara, eu tinha o mundo ao meu redor, e nem assim, obtive resposta. Me perguntava o que eu estava fazendo ali. Porque eu estava ali. Porque eu estava no mundo. Quem eu era no mundo. E o que vai ser de mim daqui pra frente. Daqui um, dois, três ou cinquenta anos. Me perguntava qual profissão iria seguir, ou se teria realmente uma profissão, se chegaria a poder ter essa escolha. Fiquei me questionando sobre todos os meus atos, dos mais recentes aos mais antigos. Veio a minha cabeça o porque de ser assim. De ter esses olhos, essa boca, esse nariz, e tudo que me compõe. Perguntava se podia ter sido diferente. Perguntava quem foi que quis assim. Tentava achar respostas para todas as minhas características, sejam elas internas ou externas. Procurei no meu passado indícios, traumas ou qualquer outra coisa que me faça ser o que eu sou hoje. Lembrei de um trecho que li esses dias, em que dizia que o jovem queria ser metafísica*, sem ter metafísica. Não achei a resposta para nenhuma das perguntas. E talvez só consiga achar quando crescer. Amadurecer. E acho que é disso que eu estou precisando. Me achava tão madura antigamente, conseguia resolver coisas tão mais complicadas com tanta facilidade. Deve ser por isso. Fui adulta quando não devia, e agora, queria voltar a ser criança. Criança no sentido fundo da palavra, e não uma babaca, infantil. Mas agora é hora de olhar pra frente, e ver o que me espera. O passado já foi, o presente está ai, e o futuro... eu não sei quando vem. Enquanto isso, vou procurando o sentido de viver, em que essas perguntas movem meu mundo a procura das respostas. E não acho que tenha que mudar alguma coisa. Creio que Deus gosta de como eu sou, afinal, foi ele quem me fez assim, com todas as qualidades e defeitos. E se Ele fez, quem será capaz de mudar?
* metafísica: ramo da filosofia que estuda os fundamentos da existência e realidade.